El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

domingo, 15 de maio de 2011

DO TEMPO

Sol e sul
Solo do chão
Tudo na vida acaba
Em solidão
Sol e dão
Dão e o que tiram tirarão
Tiram do chão
Da mão dá a mão
Da cabeça e do coração
Tempo ladrão do tempo e da razão

Clifton M. Teixeira
Fortaleza, maio de 2011.

SONETO DA FELIZ IDADE

o que é felicidade
feliz cidade eu sei o que é
uma cidade feliz

felicidade deve ser

tirar uma meleca bem grande do nariz
escrever no quadro ou na parede
com um pedaço de giz
ouvir tocar o sino na matriz

tomar água de chafariz
cortar o mal pela raiz
dizer coisas que ninguém nunca diz

tomar banho de chuveiro cantando Flor de Lis
fazer coisas que ainda não fiz
ou fazer as que posso e ainda não quis

Clifton M. Teixeira
Fortaleza, abril de 2011.

domingo, 1 de maio de 2011

À PROCURA DE UM SORRISO

debaixo do tapete
em um soneto um verbete
choro alegria ou decepção
todo sentido se transforma atenção

saindo ou chegando
para onde ou para quem
por mim por você ou por ninguém
sem saber o por que pode ser coisa do além

na ponta de uma navalha afiada
ou na pólvora de um tiro preciso
vago por aí procurando você
ou à procura de um sorriso

Clifton M. Teixeira
Fortaleza, maio de 2011.