El Reloj Sin Agujas

Minha foto
Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

NO PÉ DO ZÉ

sábia a lábia do bêbo zé matuto
mordendo os beiços de afiar canudo
lambendo o chão caindo de porre
gritando nu me socorre socorre


de boca na pinga cai num copo
puxa o ar entre os dentes e morde o limão
estala os dedos e cospe no chão


tá andando torto tá caindo de morto
de descida na magrela na subida vai a pé
vai empurrando e desce da sela


chega em casa erra a porta
acha a entrada e mete a chave torta
a patroa aperreada
bota pra dentro e dá-lhe uma chinelada

tu não vai trabalhar zé?

Clifton M. Teixeira
Fortaleza, fevereiro de 2011.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SOL É PRA SE MOLHAR

o sol que ganhei de você
veio com lágrimas de suor e o sal
de água parada e de mar
de chuva e um perdido olhar

trocado sem mais nem porque
de pretensões remotas dizer
que nada que não venha depois
das quase cúmplices braçadas a dois

já fez daquele sol molhado de chuva e de mar
espelho e reflexo do sentido que já
por um momento deixou
um sabor de quem veio e voltou

Clifton M. Teixeira
Fortaleza, fevereiro de 2011.