El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

DO SEGREDO

Segredos guardados a sete chaves
Segredos falados baixo ao pé do ouvido
Em melodias de notas e claves

Segredo daquele que dá medo
Silêncio guardado na ponta do dedo
Que sibila e que toca a boca
Que mata gente quão serpente

Segredo que dá de fazer escondidinho
Sozinho a dois a três segredinho
Ou segredo sagrado bandido
Que do vulto popular já nasce banido

Segredo que assume forma de sombra
E segue persegue cuidadosamente velado
Ao passo que ao deslize do tambor desarmado
Pode sair a mil aos quatro ventos soprado

Fortaleza, agosto de 2010.

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