El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MACABEANAS (Mais uma de Inês)

E Inês mais uma vez
Decepciona vocês
O canto de Inês é triste
Sua voz é rouca desafinada e ruim

A risada de Irene treme
Soa como um grito solene
Daquela que não tem pena
De alma tamanha pequena

Que em menos de uma estrofe de poema
Sem ilusões ou aromas de lavanda e alfazema
Nem notas melódicas na janela de um bandolim
Teve seu diminuto e macambúzio fim

Fortaleza, julho de 2010.

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