El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CESSAR

Soberba lasciva e sórdida
Age escondida e mórbida
Sob lençol macio de uma lua de pérola
Segura nas mãos a adaga em pedra

De corte fino e cujo desatino
Tira dos sonhos o menino
Que sem a luz nem sol nem cor
Cresce botão mal fadado a não virar flor

E assim a vida finda
Sem saber mesmo ainda
Das dores e sabores do castrado sentido
Pelo delírio do gesto atrevido

Sem respirar sem encher o pulmão de ar
E nem sequer que por um momento
Com a força de um célere vento
Deixaria marcada a essência
No sabre da sua curta existência

Fortaleza, agosto de 2010.

Um comentário:

  1. Posto anônimo? hahahha
    Brincadeira....mande ver aí que estou sempre lendo por aqui...

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