El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SOLILÓQUIO

Sem correr na frente ou atrás
Sem medo sem querer
Sem beijo de rapaz

Um solo de sentimento
De fundo o sopro do vento
No rochedo o mar furioso
Invade a calma domestica a alma

Fortaleza, julho de 2010.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

MACABEANAS (Mais uma de Inês)

E Inês mais uma vez
Decepciona vocês
O canto de Inês é triste
Sua voz é rouca desafinada e ruim

A risada de Irene treme
Soa como um grito solene
Daquela que não tem pena
De alma tamanha pequena

Que em menos de uma estrofe de poema
Sem ilusões ou aromas de lavanda e alfazema
Nem notas melódicas na janela de um bandolim
Teve seu diminuto e macambúzio fim

Fortaleza, julho de 2010.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

CESSAR

Soberba lasciva e sórdida
Age escondida e mórbida
Sob lençol macio de uma lua de pérola
Segura nas mãos a adaga em pedra

De corte fino e cujo desatino
Tira dos sonhos o menino
Que sem a luz nem sol nem cor
Cresce botão mal fadado a não virar flor

E assim a vida finda
Sem saber mesmo ainda
Das dores e sabores do castrado sentido
Pelo delírio do gesto atrevido

Sem respirar sem encher o pulmão de ar
E nem sequer que por um momento
Com a força de um célere vento
Deixaria marcada a essência
No sabre da sua curta existência

Fortaleza, agosto de 2010.

domingo, 1 de agosto de 2010

O CANTO DE INÊS (Uma balada para Inês)

Inês canta
Irene ri
Na casa de Inês não tem alegria
Na da outra tem gente de noite e de dia

Inês preocupada Inês ocupada
Mesmo descabelada
Canta correndo nua
Subindo e descendo a escada

Irene faceira chega da feira
Guarda tudo e puxa a cadeira
E sem eira nem beira
Começa a rir

Inês chora Irene ri
Inês canta Irene ri
Chaplin ‘smile’
Irene ‘meanwhile’
Adivinha?
Ri

Para o canto triste de Inês
A realidade aponta
Irene ri
Da mira além da porta
A realidade torta
...

Fortaleza, agosto de 2010.