El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

ISENTO

De sentido amargo
Só um trago mal pago
Não mais que um vago afago

Que de ti não se sente ardente
O trincar dos dentes
Possíveis atentos

Ao tempo e ao movimento do vento

Movimento o momento
Do não pensar

Parar de sentir me ausentar
De olhar de ver de tentar enxergar
De ouvir de cheirar de saber o gosto

No espelho
De ter que ver o rosto
De todos os rostos que gosto

Eximir-se de um mundo
Que na fração de um segundo
Pode te arrastar ao fundo

Fortaleza, julho de 2010.

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