El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

sábado, 22 de maio de 2010

TER-SE IDO

Seca a ama
O tarado mama
Do artista a fama

Para a doença farma
Para a criança a arma
Para o guardador o carro

Do carregador o trocado
Do pintor o traçado
Da artesã o brocado

Da paisagem o já sido
Para quem foi o já ido
Para quem morreu o jazigo

De quem nasce o umbigo
Daquela música a dança
Da pessoa a lembrança

Daquela ama boa
No leito o deleite
Daquele único leite

Fortaleza, 2010.

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