El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

ISOLAMENTO

Quem chega primeiro
Beco sem saída
Ir e vida
Será a morte uma corrida

No lenço somente tchau
Na boca do gato miau
Do cachorro au au
Do meu amigo sal

Que coma a minha carcaça
Que beije a minha couraça
E desarme toda carapaça
Para que assim no novo molde

A quem seja que incomode
Esteja dado o mote
Para daí em diante
Por detrás ou doravante

Seja ele e eu só
Sozinho com a minha passagem
Comigo e a minha imagem

Ninguém escrevendo
Ninguém lendo
Ninguém gemendo
Ninguém escolhendo

Somente eu
Chovendo
Amanhecendo
Anoitecendo
Escorrendo
O sangue descendo
Minha garganta bebendo

Da carne o osso
Da fruta o caroço
De mim o troço
De vocês não posso

Fortaleza, 2010.

Um comentário:

  1. gostei muito dessa. Pesada e seca como teu vento seco brasiliense. Muito tu nessa daí.

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