El Reloj Sin Agujas

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Levei muita rasteira de mim mesmo e dos outros até começar a entender como as coisas funcionam, mais ou menos, dentro da nossa cabeça... Daí, percebi também que as pessoas não são tão diferentes umas das outras. Foi à custa de muitos tapas na cara que sei o quase-nada que sei hoje sobre mim mesmo. (...) Já franzi muito a testa até aprender a relaxar e parar de negar coisas óbvias como: Papai Noel não existe, nem o Coelinho da Páscoa, meu pai não é meu herói, nem minha mãe é uma santa, minha irmã não é mais virgem, meu irmãozinho não é tão 'zinho', meus conhecidos não são meus amigos, e meus amigos são mais que simples amigos. É ruim aceitar de verdade que eu não sou a melhor pessoa do mundo, nem sequer a mais bem intencionada... Sou uma mistura de reticências e etcétera. Quem sabe, um angiograma ou um angiosperma. Para alguns, uma úlcera.

terça-feira, 27 de abril de 2010

ALICE

O cheiro desarma você
Vai com força
Até achar e adormecer
Tenho que matar o leão e escondê-lo atrás das ancas
Leões são isso
Nada me vem do nada
Apenas cores
Corte
Volta à repetida lâmina
Que corta a minha cabeça

Fortaleza, 2010.

domingo, 25 de abril de 2010

FUGA

Solene alma errante
De triste um espantar pensante
Escapar do inferno de Dante

Fortaleza, 2010.

TELÚRICO

Um anjo de asa caída
Um dia disse pra mim nem sempre é justa a vida
Cortaram-lhe as asas tiraram-lhe o céu e deram-lhe o chão
Minhas asas nunca cresceram a mim sempre foi dado o chão
Mas também deram-me o sol o mar e a canção.

Fortaleza, 2010.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

MENTE

E assim a vida segue seu curso
Nem tudo na vida é curso
A eletricidade tem um fio condutor
A mente, tem um motor.

Fortaleza, 2010.

BOLERO

Chega aos meus ouvidos com notas agudas,
uma canção triste de saudade.
Os mais moços também ouvem isso,
ou isso é coisa da idade?

Fortaleza, 2010.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PARA UMA VIDA SAUDÁVEL (?)

Aprender a ser gente
Andar normalmente
Agir discretamente
Falar baixo e pausadamente
Comer elegantemente
Usar os talheres corretamente
Ganhar dinheiro legalmente
Sair para trabalhar alegremente
Ir ao dentista regularmente
Mastigar o alimento repetidamente
Assim é que é ser gente?
Quem disse isso, como mente!

Fortaleza, 2010.

terça-feira, 20 de abril de 2010

SERENO

Ver reluzir a brisa da manhã em que vou acordar
Sentir refrescar o cantar suave da tarde cujo sol vai tocar
Deixar- me carregar ao luar doce da noite em que vem me buscar
Chorar gotas de orvalho da árvore mais milenar na madrugada em que irei te deixar

Fortaleza, 2010.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PARA OS DIAS DE SOL

Flutuar no tempo no vento
Pelo ar sobre o mar
O mar morto cujas vivas águas
Salgadas não nos deixam afundar

Soprar respirar flutuar
O ritmo das mãos a dançar
Fred Astairizar deslizar
Desafiar o peso do ar

Flutuar flutuar flutuar
Pêndulo que foge do relógio
E sai louco descompassado a badalar
Sem mais precisar das horas para soar

Sair de si e de mim
Deixar meu corpo e voar
Voar pra lá de pra lá
Onde não haja mais os sentidos
Onde tudo que há seja flutuar

Fortaleza, 2010.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

VOLUPTUS CARNE

A fina lâmina
Força branda do punhal
Tropeçar cair
Tornar-se estátua de sal

Despir sem pensar
Despetalar flor do mal
Mirar o olho da serpente
Pedido de alma indulgente

Nadar morrer na areia
Fugir do canto da sereia
Rugir como um leão ferido
Vagar qual um anjo caído

Fortaleza, 2010.

terça-feira, 13 de abril de 2010

BEIJO

Bebo sóbrio sobre a pedra turva a água límpida
Sobre a água turva bebo límpida a sóbria pedra
A pedra turva a água límpida que sobra e sóbrio sorvo
Límpido sorvo a água turva da tua boca pedra

Fortaleza, 2010.

domingo, 11 de abril de 2010

TATO

Mão que fura e que aponta
Mão que é sóbria mão que é tonta
Mão que espanca e que lateja
Mão que belisca mão que beija
Mão grande mão pequena
Mão nervosa mão serena
Mão que toca mão que dança
Mão que corre mão que cansa
Mão que chora e que ri
Mão que queima e que se queima
Mão que diz sim e diz não
Que toca a bruma e a onda
Que alcança o sol e o chão
Mas atenção
O tato não é só a mão

Fortaleza, 2010.

VIRA-LATA

De rua
D’alma nua
Dócil esperta
Deitada quieta

Cão de rua
Cão de alma nua
Dócil e esperto
Deitado e quieto

Fortaleza, 2010.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

SAMBA DE TERÇA (-FEIRA DE CARNAVAL)

Mulato de raça de roça e de praça
Passa sem graça uma lábia a encantar
Cantar um poema de morro ou de mar
Samba sincopado cadência de malandro
Mulato assanhado de sorriso brando
Falar encorpado molejo sem par
Cada qual com seu sambar

Fortaleza, 2010.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

DAQUI SE SALVA A DOR DALI

Arte de fazer má ave celestial
Flor do bem pétala de espinho
Um sabor agridoce de torpor bestial
Perfurado coração sangrando de passarinho
Só se lança em olhar brutal inocência de criança

Arte de fazer bem machucar alguém
Ave de rapina flor do mal
Uma verruga preta na cabeça do pau
Jato de sangue jorrando das entranhas ao além
Sobe a lança afiada que se lança em uma dança


Fortaleza, 2010.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

SÃO DOIS, PRA LÁ E PRA CÁ

Sentindo frio em minh’alma
Vi meu coração se acalmar
Mas o teu me atrapalhava
Me chacoalhando pra lá e pra cá


Fortaleza, 2010.

terça-feira, 6 de abril de 2010

PARA OS DIAS DE CHUVA

Medo de chuva? Não, gosto da chuva mesmo quando não há guarda-chuvas por perto. Molhar-se um pouco até que é bom, de vez em quando.
Medo de chuva? Não, quero está bem perto quando ela passar.


Fortaleza, 2010.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

JOGOS - SOCORRER OU SÓ CORRER

Solo canção
A vida suspensa por dois fios
Voz e violão

Sede mar
A vida cercada por dois mundos
Poder e cantar

Trapézio ou arame
Correr ou saltar
Morrer ou andar
Salvar socorrer
Mover-se parar
Sorrir sofrer
Chorar viver
Amar desesperar


Fortaleza, 2010.

EXISTIR ASSIM

Vi, susto sussurro
De mim para mim
Um soco um murro
Um muro sem fim

Caí, não existo
Existo sim
Não para ela
Existo por mim

Existir, assim sem fim
De mim para mim
Em uma troca de olhar
Existir é assim


Fortaleza, 2010.

IF I COULD

Manhãs, matinais, cafés, conjugais
Conjugando o sentido de nos termos sem ter, entrar sem saber, estar sem perceber onde vamos ter
Nossos outros canais, conjunções mentais de harmonia sagaz, sede voraz de nos estarmos bem
Que às vezes nos traz sensações naturais ou artificiais, fazer para beber teu ar e comer os cheiros assim, conscientes de mim
Descerrar lucidez, decretar languidez, na nossa casa aberta, janelas com vento, Yoda da luz
Porém, sem você, saber não dizer, sentir sem tecer o que pode ser sem fim.
If I could

If I could If I could
Like thinking I would
To be probably in the mood
Lay a hand on you that way
Feeling the strength of our course
Forged in wood and
All this, only if I could


Fortaleza, 2010.

SALTO NO INFINITO

A mesma coisa dita de forma diferente
A mesma imagem vista de forma diferente
A mesma forma de coisa vista diferente

Impressões espaciais locais perdidas e banais
De um sonho ou ilusão que ascende e não se apaga
Numa esquina ou nos sinais

Pobre esperança bandida
Que te espanca e te lapida

Pobre desejo esquecido
Amor não percebido
Vontade esquecida
De te ver e de ter
Só por um segundo a sensação
De um salto no infinito
E te fazer adormecer


Fortaleza, 2010.

UMA POESIA POR DIA

Hoje eu resolvi que iria,
Hoje eu decidi que ia,
Disse que ia, ia fazer
Uma poesia por dia
Uma pro sol nascer,
Uma pra anoitecer,
Uma falando de dor, outra falando de amor
Uma de paixão, outra de tesão
Uma amizade, outra lealdade
Saudade, idade, bondade, liberdade
Ação, reação, música, canção
8760 horas, 24 horas por dia
Uma por dia, 365, ou 6, por ano
Tudo que eu puder ser, ser tudo que puder dizer

Fortaleza, 2010.

TODO QUIETO

Quieto todo estava
Na minha frente, ela de novo
Um sorriso e, a vida me aprontava
Em um golpe, querer sem querer
Curiosos corações, a saber o não saber
Janelas abertas, da alma um brilho voraz
Estava quieto, agora não estou mais


Fortaleza, janeiro de 2010.